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Yeda na contramão
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07/05/2009 | 15:17 |
O artigo publicado pela governadora Yeda Crusius foi de uma infelicidade imperdoável para uma pessoa responsável pelo Poder Executivo Estadual, especialmente por se tratar de uma profissional formada em economia.
A infeliz opção pelo título otimista (na linha “politicamente correta”, precisamos ser otimistas na crise!!), esbarra na dura realidade dos fatos, pois no mesmo dia a FIERGS veiculou sua pesquisa sobre desempenho industrial do Estado, informando uma brutal queda, superior a 14% no primeiro trimestre de 2009, o pior desempenho industrial do RGS desde 1992. Informa a entidade que “as horas trabalhadas, a massa salarial e o emprego caíram 12,2%, 5,7% e 3,8%, respectivamente”.
E depois a desacreditada governadora repete a velha ladainha da mudança, do “déficit crescente com investimento zero”, para o desejado “déficit zero com investimento crescente”. Mero jogo de palavras. O déficit das finanças estaduais diminuiu no governo Olivio e, nem por isso, o seu governo afirmou que as dificuldades seriam superadas no curto prazo. Havia, à época responsabilidade e “pé no chão”. Os problemas das finanças do Rio Grande são estruturais, e só poderão ser superados após três ou quatro períodos de governo que persigam com sucesso políticas fiscais austeras.
Não é o caso deste governo que apenas em 2007 gastou a preços atuais mais de 130 milhões em publicidade. Num período de apenas dois anos e apenas com suporte de “marketing” e abundância de slogans só é possível produzir ilusões, aliás, o que é a marca registrada deste governo. Se olharmos os dois últimos balanços do Estado, verificamos que os investimentos no sentido amplo (que incluem as inversões financeiras) representaram neste primeiro biênio do governo Yeda (2007/2008) apenas 3,4% da Receita Corrente Líquida, percentual que é apenas um terço do verificado no Governo Olívio (10,6%) e pouco mais da metade do governo Rigotto (6,0%).
O Estado deve 2,35 vezes a sua Receita Corrente Líquida anual, paga encargos (juros e amortizações) excessivamente elevados e tem registrado a cada ano aumento do seu déficit previdenciário. E a melhoria dos resultados é ilusória, mera “maquiagem”, pois assentada na brutal redução dos gastos sociais. A aplicação de apenas metade do que estabelece a constituição em saúde é um exemplo disso.
E depois a governadora tenta “surfar” nos investimentos do PAC e da Petrobras (empresa que FHC seu partido, o PSDB pretendia privatizar), citando números de investimentos em Rio Grande em instalações de GNL e planta de reseigazificação, como se fossem resultado de ações de seu governo. E finaliza citando um futuro de grande crescimento para o RGS nos próximos 10 ou 15 anos. Tomara que isso aconteça mas, se acontecer, é certo é que será apesar do governo Yeda Crusius. |
Por Paulo Müzel. |
Texto atualizado em 07/05/2009 | 15:17  |
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